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PESQUISA DEMONSTRA PERIGO NO CONSUMO DE HIDROPÔNICOS

                Resultados de uma recente pesquisa conduzida por pesquisadores do IAPAR (MIYAZAWA et. al., 2001) mostraram que alfaces cultivadas em sistema hidropônico apresentaram um teor de nitrato extremamente elevado: 70% das amostras tinham entre 6.000 e 12.000 mg/kg e apenas 3% das amostras tinham teor inferior a 3.000 mg/kg. Nesse cultivo, o fertilizante nitrogenado é fornecido nas formas nítrica e amoniacal facilmente absorvidos pela raiz em quantidades muito acima da capacidade da planta assimilar, acumulando, assim, o excedente no tecido vegetal. A pesquisa conclui que o teor de nitrato nas folhas de alface varia na seguinte ordem: hidropônico > convencional > orgânico. Segundo os autores, a baixa concentração de nitrato na alface ecológica é devida ao uso de fertilizantes com baixo teor de nitrogênio, como esterco bovino e vermicomposto .
                No organismo, o nitrato ingerido passa à corrente sangüínea podendo reduzir-se a nitritos que são ainda mais venenosos. Quando combinados com aminas, formam as nitrosaminas, substâncias cancerígenas, mutagênicas e teratogênicas. O monitoramento dessas substâncias é essencial para garantir a qualidade dos alimentos. De acordo com a FAO, o índice de máxima ingestão diária admissível (IDA) de nitrato é de 5 mg/kg de peso vivo e, 0,2 mg/kg, para o nitrito. A ingestão admissível para uma pessoa de 70 kg seria de 350 mg de nitrato por dia. Assim, se considerarmos que quatro cabeças de alface pesam aproximadamente 1,0 kg e têm, em média, 160 folhas, conclui-se que uma pessoa de 70 kg comendo entre 4 e 9 folhas de alface hidropônica por dia já estará atingindo a dose diária máxima de nitrato permitida. No caso de crianças a quantidade de folhas ingeridas é proporcionalmente menor. Esta mesma pessoa poderia comer, em média, mais de 50 folhas de alface produzida no sistema orgânico, para atingir o mesmo nível de nitrato.
                Sendo assim, o consumo de alface cultivadas no sistema hidropônico deve ser cauteloso, pois pode trazer riscos à saúde humana.