ECOARTIGOS



POR QUE RECICLAR O PET

A resina PET, que é largamente utilizada na embalagem de refrigerantes, água mineral, óleos comestíveis, cosméticos e remédios, é 100% reciclável.
Mas o que representa essa reciclabilidade, isto é, a possibilidade de se transformar em outro produto?
Inicialmente devemos considerar que a embalagem chamada de pós-consumo tem um valor econômico; isto quer dizer que o seu detentor pode comercializá-la, pois agentes econômicos estarão interessados em sua compra. Se é assim, há que encaminhá-las para o comprador. Mas quem é essa figura e por que estará interessado na compra da embalagem usada?
O reaproveitamento da resina PET permite a fabricação de inúmeros outros produtos que se valem de suas propriedades químico-mecânicas. A grande utilização está na fabricação de fios têxteis. Isto mesmo! Uma garrafa de refrigerante pode ser transformada em fio, utilizado na produção de variados tecidos, como peças de vestuário, carpetes, tapetes e revestimentos interiores de automóveis. Mas há, ainda, outras atividades recicladoras a partir das embalagens PET. Fabricam-se cordas e cintas para enfardamento de alta resistência; enchimentos para bonecas, bichos de pelúcia, travesseiros e edredons; mantas asfálticas, vassouras artesanais e industriais e um sem número de pequenos objetos de adorno e decoração, tais como presilhas para o cabelo, ímãs para geladeira e porta-retratos. Podemos mesmo dizer que o limite é a criatividade humana. E por falar em criatividade, vale a pena conhecer as lindíssimas colchas e xales produzidas em teares artesanais a partir de fios totalmente produzidos com PET reciclado. É a arte valendo-se de matéria prima de qualidade!
O Brasil, onde o PET só foi lançado em larga escala a partir de 1993, caminha a passos largos na reciclagem do material pós-consumo. Em 1998 as indústrias brasileiras especializadas na reciclagem do PET processaram 40.000 toneladas, apresentando crescimento de 33% em relação ao ano anterior.
Cabe, então, a pergunta: se é tão reciclável, produz artigos de alta qualidade e é tão disponível, por que os índices de reciclagem não são maiores (hoje são de 21%)? A resposta a essa pergunta deve considerar quatro aspectos relevantes:
1. disponibilidade das embalagens pós-consumo;
2. existência de indústrias recicladoras;
3. estímulo tributário e creditício, e
4. valorização do produto confeccionado com material reciclado.

 

EMBALAGENS DE PET E SEUS BENEFÍCIOS

As embalagens de PET vêm dominando o mercado de bebidas carbonatadas desde 1993, quando teve início a produção em larga escala das garrafas de refrigerante. Hoje, menos de 10 anos depois, as embalagens de PET são responsáveis pelo acondicionamento de aproximadamente 68% de todo o refrigerante produzido no Brasil.
São muitas as razões para essa revolução mercadológica: A resina conhecida pela sigla PET, isto é, Poli(Tereftalato de Etileno), tem propriedades de barreira que impedem a perda das características dos produtos envasados. Trocando em miúdos, as paredes formadas pelos vasilhames de PET não permitem que a troca de gases aconteça, impedindo sua entrada e saída. Esta propriedade também evita a absorção de odores estranhos. Além disso, por não gerarem toxinas, as embalagens PET são perfeitas para acondicionar todo tipo de alimento.
As propriedades de resistência mecânica agradam a produtores e comerciantes, visto que uma embalagem de PET muito dificilmente romperá ao cair de uma gôndola, por exemplo, evitando prejuízos e acidentes. O resultado visual é excelente, com transparência e brilho difíceis de obter em outras resinas. Além disso, a moldabilidade do PET permite a produção de embalagens complexas, favorecendo a imaginação dos designers. Suas roscas possuem tolerância reduzida e, como conseqüência, suas tampas não vazam. Mesmo depois de abertas, as garrafas podem ser tampadas novamente sem riscos para a limpeza da sua geladeira, seu carro ou sua bolsa.
As embalagens de PET podem ser produzidas em máquinas de apenas um estágio, ou seja, num único ciclo, a resina é injetada e soprada. Este processo é muito mais ágil, favorecendo a produtividade e, consequentemente, reduzindo custos. A alta demanda diminuiu muito o preço da resina e a constante evolução tecnológica resulta em garrafas que usam menos material: são 20 a 30% mais leves que as demais resinas plásticas, resultando em economia de matéria-prima e transporte. Resultado: produtos mais baratos para fabricantes e, consequentemente, para consumidores.
Tantas qualidades chamaram a atenção de outros segmentos e hoje a resina PET já predomina ou está conquistando rapidamente espaço significativo como matéria-prima de embalagem para vários produtos: 70% do mercado de isotônicos, 00% das águas minerais, 00% de óleos comestíveis são envasados em PET. Já estão em linha as garrafas para vinagre, vinho, cachaça, vodka e outros destilados. Produtos não alimentícios também adotaram o PET: detergentes, desinfetantes, solventes, além de produtos para higiene e beleza.
O próximo mercado de grande volume será o das cervejas. As tecnologias já estão disponíveis e o produto está sendo testado.
Como se não bastassem tantas qualidades técnicas, outro fator pesa favoravelmente para o PET: é material ecologicamente correto.
100% reciclável, seu reaproveitamento evita o acúmulo de material nos aterros sanitários e lixões, gerando postos de trabalho e renda, atingindo também questões sociais.
Em 1999 foram recicladas 50 mil toneladas de garrafas, o que representa índice de 20% sobre a produção. Respeitável para uma indústria nascida em 1994, esse índice é semelhante ao do Japão, por exemplo, demonstrando que a indústria brasileira recicladora de PET está no bom caminho. Sua evolução anual é da ordem de 30%.
São produzidas novas garrafas e frascos (para produtos não alimentícios), peças injetadas, cordas, vassouras, entre outros produtos, inclusive garrafas de três camadas aprovadas para uso com produtos alimentícios. Estas garrafas tem a camada central de PET reciclado que compões 40% o seu peso.
O maior mercado para o PET reciclado é o têxtil. A partir das garrafas coletadas, prensadas e moídas, produz-se a fibra de poliéster, matéria-prima para fabricação de enchimentos para travesseiros, edredões, pelúcias, tapetes e carpetes. O fio de poliéster pode ser combinado com outras fibras, com o algodão, viscose, linho, entre outros, para a produção de roupas de todos os tipos. Também é possível a produção de fios feitos 100% de fibra de poliéster reciclada, resultando em tecidos de toque agradável. Detalhe importante é que este material não é novidade, já que a resina PET, antes de ser utilizada pela primeira vez para produção de embalagens, já era usada pela indústria têxtil em larga escala.

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